29 de março de 2012
16 de dezembro de 2011
Cinema - História
01. Introdução
Dois desejos profundos e contraditórios se reconciliam
no espírito do espectador de cinema: viver grandes aventuras no espaço e no
tempo e, simultaneamente, aconchegar-se num ambiente acolhedor, a salvo de todo
o perigo externo, em silêncio e na obscuridade. Imobilizado na poltrona de uma
sala de espetáculos, o homem do século XX viveu apaixonados romances e travou
guerras sem conta.
Cinema, ou cinematografia, é a arte e a técnica de
projetar imagens animadas sobre uma tela, por meio do projetor. Para isso, os
momentos sucessivos que compõem um movimento são registrados por uma máquina
filmadora em filme fotográfico, fita transparente e flexível revestida de
emulsão fotográfica. Revelado o filme, a projeção dos fotogramas em seqüência
mais rápida do que emprega o olho humano para captar as imagens faz com que a
persistência destas na retina provoque sua fusão e produza a ilusão do
movimento contínuo.
02. História
A história do cinema é curta se comparada à de outras
artes, mas em seu primeiro centenário, comemorado em 1995, já produzira várias
obras-primas. Entre os inventos precursores do cinema cabe citar as sombras
chinesas, silhuetas projetadas sobre uma parede ou tela, surgidas na China
cinco mil anos antes de Cristo e difundidas em Java e na Índia. Outra antecessora
foi a lanterna mágica, caixa dotada de uma fonte de luz e lentes que enviava a
uma tela imagens ampliadas, inventada pelo alemão Athanasius Kircher no século
XVII.
A invenção da fotografia no século XIX pelos franceses
Joseph-Nicéphore Niépce e Louis-Jacques Daguerre abriu caminho para o
espetáculo do cinema, que também deve sua existência às pesquisas do inglês
Peter Mark Roget e do belga Joseph-Antoine Plateau sobre a persistência da
imagem na retina após ter sido vista.
Em 1833, o britânico W. G. Horner idealizou o
zootrópio, jogo baseado na sucessão circular de imagens. Em 1877, o francês
Émile Reynaud criou o teatro óptico, combinação de lanterna mágica e espelhos
para projetar filmes de desenhos numa tela. Já então Eadweard Muybridge, nos
Estados Unidos, experimentava o zoopraxinoscópio, decompondo em fotogramas
corridas de cavalos. Por fim, outro americano, o prolífico inventor Thomas Alva
Edison, desenvolvia, com o auxílio do escocês William Kennedy Dickson, o filme
de celulóide e um aparelho para a visão individual de filmes chamado
cinetoscópio.
Os irmãos Louis e Auguste Lumière, franceses,
conseguiram projetar imagens ampliadas numa tela graças ao cinematógrafo,
invento equipado com um mecanismo de arrasto para a película. Na apresentação
pública de 28 de dezembro de 1895 no Grand Café do boulevard des Capucines, em
Paris, o público viu, pela primeira vez, filmes como La Sortie des ouvriers de
l'usine Lumière (A saída dos operários da fábrica Lumière) e L'Arrivée d'un
train en gare (Chegada de um trem à estação), breves testemunhos da vida
cotidiana.
2.1 - Primórdios
do filme mudo
Considerado o criador do espetáculo cinematográfico, o
francês Georges Méliès foi o primeiro a encaminhar o novo invento no rumo da
fantasia, transformando a fotografia animada, de divertimento que era, em meio
de expressão artística. Méliès utilizou cenários e efeitos especiais em todos
seus filmes, até em cinejornais, que reconstituíam eventos importantes com
maquetes e truques ópticos. Dos trabalhos que deixou marcaram época Le Cuirassé
Maine (1898; O encouraçado Maine), La Caverne maudite (1898; A caverna maldita),
Cendrillon (1899; A Gata Borralheira), Le Petit Chaperon Rouge (1901;
Chapeuzinho Vermelho), Voyage dans la
Lune (1902; Viagem à Lua), baseado em romance de Júlio Verne
e obra-prima; Le Royaume des fées (1903; O reino das fadas); Quatre cents
farces du diable (1906; Quatrocentas farsas do diabo), com cinqüenta truques, e
Le Tunnel sous la Manche
(1907; O túnel do canal da Mancha).
Os
pioneiros ingleses, como James Williamson e George Albert Smith, formaram a
chamada escola de Brighton, dedicada ao filme documental e primeira a utilizar
rudimentos de montagem. Na França, Charles Pathé criou a primeira grande
indústria de filmes; do curta-metragem passou, no grande estúdio construído em
Vincennes com seu sócio Ferdinand Zecca, a realizar filmes longos em que
substituíram a fantasia pelo realismo. O maior concorrente de Pathé foi Louis
Gaumont, que também criou uma produtora e montou uma fábrica de equipamentos
cinematográficos. E lançou a primeira mulher cineasta, Alice Guy.
Ainda na França foram feitas as primeiras comédias, e
nelas se combinavam personagens divertidos com perseguições. O comediante mais
popular da época foi Max Linder, criador de um tipo refinado, elegante e
melancólico que antecedeu, de certo modo, o Carlitos de Chaplin. Também ali
foram produzidos, antes da primeira guerra mundial (1914-1918) e durante o
conflito, os primeiros filmes de aventuras em episódios quinzenais que atraíam
o público. Os seriados mais famosos foram Fantômas (1913-1914) e Judex (1917),
ambos de Louis Feuillade. A intenção de conquistar platéias mais cultas levou
ao film d'art, teatro filmado com intérpretes da Comédie Française. O marco
inicial dessa tendência foi L'Assassinat du duc de Guise (1908; O assassinato
do duque de Guise), episódio histórico encenado com luxo e grandiloqüência, mas
demasiado estático.
2.2 – Hollywood
Em 1896, o cinema substituía o cinetoscópio e filmes
curtos de dançarinas, atores de vaudeville, desfiles e trens encheram as telas
americanas. Surgiram as produções pioneiras de Edison e das companhias Biograph
e Vitagraph. Edison, ambicionando dominar o mercado, travou com seus
concorrentes uma disputa por patentes industriais.
Nova York já concentrava a produção cinematográfica em
1907, época em que Edwin
S. Porter se firmara como diretor de estatura internacional.
Dirigiu The Great Train Robbery (1903; O grande roubo do trem), considerado
modelo dos filmes de ação e, em particular, do western. Seu seguidor foi David
Wark Griffith, que começou como ator num filme do próprio Porter, Rescued from
an Eagle's Nest (1907; Salvo de um ninho de águia). Passando à direção, em
1908, com The Adventures of Dollie, Griffith ajudou a salvar a Biograph de graves
problemas financeiros e até 1911 realizou 326 filmes de um e dois rolos.
Descobridor de grandes talentos como as atrizes Mary
Pickford e Lillian Gish, Griffith inovou a linguagem cinematográfica com
elementos como o flash-back, os grandes planos e as ações paralelas,
consagrados em The Birth
of a Nation (1915; O nascimento de uma nação) e Intolerance (1916), epopéias
que conquistaram a admiração do público e da crítica. Ao lado de Griffith é
preciso destacar Thomas H. Ince, outro grande inovador estético e diretor de
filmes de faroeste que já continham todos os tópicos do gênero num estilo épico
e dramático.
Quando o negócio prosperou, acirrou-se a luta entre as
grandes produtoras e distribuidoras pelo controle do mercado. Esse fato, aliado
ao clima rigoroso da região atlântica, passou a dificultar as filmagens e levou
os industriais do cinema a instalarem seus estúdios em Hollywood, um subúrbio
de Los Angeles. Ali passaram a trabalhar grandes produtores como William Fox,
Jesse Lasky e Adolph Zukor, fundadores da Famous Players, que, em 1927,
converteu-se na Paramount Pictures, e Samuel Goldwyn.
As fábricas de sonho em que se transformaram as
corporações do cinema descobriam ou inventavam astros e estrelas que garantiram
o sucesso de suas produções, entre os quais nomes como Gloria Swanson, Dustin
Farnum, Mabel Normand, Theda Bara, Roscoe "Fatty" Arbuckle (Chico
Bóia) e Mary Pickford, que, em 1919, fundou, com Charles Chaplin, Douglas
Fairbanks e Griffith, a produtora United Artists.
O gênio do cinema silencioso foi o inglês Charles
Chaplin, que criou o inolvidável personagem de Carlitos, mescla de humor,
poesia, ternura e crítica social. The Kid (1921; O garoto), The Gold Rush
(1925; Em busca do ouro) e The Circus (1928; O circo) foram os seus filmes
longos mais célebres do período. Depois da primeira guerra mundial, Hollywood
superou em definitivo franceses, italianos, escandinavos e alemães,
consolidando sua indústria cinematográfica e tornando conhecidos em todo o
mundo comediantes como Buster Keaton ou Oliver Hardy e Stan Laurel ("O
gordo e o magro"), bem como galãs do porte de Rodolfo Valentino, Wallace
Reid e Richard Barthelmess e as atrizes Norma e Constance Talmadge, Ina Claire
e Alla Nazimova.
2.3 - Realistas
e expressionistas alemães
Em 1917 foi criada a UFA, potente produtora que
encabeçou a indústria cinematográfica alemã quando florescia o expressionismo
na pintura e no teatro que então se faziam no país. O expressionismo, corrente
estética que interpreta subjetivamente a realidade, recorre à distorção de
rostos e ambientes, aos temas sombrios e ao monumentalismo dos cenários.
Iniciara-se em 1914 com Der Golem (O autômato), de Paul Wegener, inspirado numa
lenda judaica, e culminou com Das Kabinet des Dr. Caligari (1919; O gabinete do
Dr. Caligari), de Robert Wiene, que influenciou artistas do mundo inteiro com
seu esteticismo delirante. Outras obras desse movimento foram Schatten (1923;
Sombras), de Arthur Robison, e o alucinante Das Wachsfigurenkabinett (1924; O
gabinete das figuras de cera), de Paul Leni.
Convictos de que o expressionismo era apenas uma forma
teatral aplicada ao filme, F. W. Murnau e Fritz Lang optaram por novas
vertentes, como a do Kammerspielfilm, ou realismo psicológico, e o realismo
social. Murnau estreou com o magistral Nosferatu, eine Symphonie des Grauens
(1922; Nosferatu, o vampiro) e destacou-se com o comovente Der letzte Mann
(1924; O último dos homens). Fritz Lang, prolífico, realizou o clássico Die
Nibelungen (Os Nibelungos), lenda germânica em duas partes; Siegfrieds Tod
(1923; A morte de Siegfried) e Kriemhildes Rache (1924; A vingança de
Kremilde); mas notabilizou-se com Metropolis (1926) e Spione (1927; Os
espiões). Ambos emigraram para os Estados Unidos e fizeram carreira em
Hollywood.
Outro grande cineasta, Georg Wilhelm Pabst, trocou o
expressionismo pelo realismo social, em obras magníficas como Die freudlose
Gasse (1925; A rua das lágrimas), Die Büchse der Pandora (1928; A caixa de
Pandora) e Die Dreigroschenoper (1931; A ópera dos três vinténs).
2.4 - Vanguarda
francesa
No fim da primeira guerra mundial ocorreu na França
uma renovação do cinema que coincidiu com os movimentos dadaísta e surrealista.
Um grupo liderado pelo crítico e cineasta Louis Delluc quis fazer um cinema
intelectualizado mas autônomo, inspirado na pintura impressionista. Nasceram
daí obras como Fièvre (1921; Febre), do próprio Delluc, La Roue (1922; A roda), de Abel
Gance, e Coeur fidèle (1923; Coração fiel), de Jean Epstein. O dadaísmo chegou
à tela com Entracte (1924; Entreato), de René Clair, que estreara no mesmo ano
com Paris qui dort (Paris que dorme), no qual um cientista louco imobiliza a
cidade por meio de um raio misterioso. Entre os nomes desse grupo, um dos mais
brilhantes é o de Germaine Dulac, que se destacou com La Souriante Mme. Beudet
(1926) e La Coquille
et le clergyman (1917).
A vanguarda aderiu ao abstracionismo com L'Étoile de
mer (1927; A estrela do mar), de Man Ray, e ao surrealismo com os polêmicos Un
Chien andalou (1928; O cão andaluz) e L'Âge d'or (1930; A idade dourada), de
Luis Buñuel e Salvador Dalí, e Sang d'un poète (1930), de Jean Cocteau.
2.5 - Escola
Nórdica
Os países escandinavos deram ao cinema mudo grandes
diretores, que abordaram temas históricos e filosóficos. Entre os mais célebres
estão os suecos Victor Sjöström e Mauritz Stiller e os dinamarqueses Benjamin
Christensen -- autor de Hexen (1919; A feitiçaria através dos tempos) -- e Carl
Theodor Dreyer, que, após Blade af satans bog (1919; Páginas do livro de Satã),
dirigiu, na França, sua obra-prima, La Passion de Jeanne D'Arc (1928; O martírio de
Joana D'Arc), e Vampyr (1931), co-produção franco-alemã.
2.6 - Cinema
soviético
Nos últimos anos do czarismo, a indústria
cinematográfica da Rússia era dominada por estrangeiros. Em 1919, Lenin, o
líder da revolução bolchevique, vendo no cinema uma arma ideológica para a
construção do socialismo, decretou a nacionalização do setor e criou uma escola
de cinema estatal.
Assentadas as bases industriais, desenvolveram-se
temas e uma nova linguagem que exaltou o realismo. Destacaram-se o
documentarista Dziga Vertov, com o kino glaz ou "câmara-olho", e Lev
Kuletchov, cujo laboratório experimental ressaltou a importância da montagem.
Os mestres indiscutíveis da escola soviética foram Serguei Eisenstein, criador dos
clássicos Bronenósets Potiomkin (1925; O encouraçado Potemkin), que relatava a
malograda revolta de 1905; Oktiabr (1928; Outubro ou Os dez dias que abalaram o
mundo), sobre a revolução de 1917; e Staroye i novoye (1929; A linha geral ou O
velho e o novo), criticado pelos políticos ortodoxos e pela Enciclopédia
soviética como obra de experimentos formalistas.
Discípulo de Kuletchov, Vsevolod Pudovkin dirigiu Mat
(1926; Mãe), baseado no romance de Maksim Gorki; Konyets Sankt-Peterburga
(1927; O fim de São Petersburgo) e Potomok Chingis-khan (1928; Tempestade sobre
a Ásia ou O herdeiro de Gengis-Khan). O terceiro da grande tríade do cinema
soviético foi o ucraniano Aleksandr Dovzhenko, cujos filmes mais aclamados
foram Arsenal (1929), Zemlya (1930; A terra), poema bucólico, e Aerograd
(1935).
2.7 - Cinema
italiano
A indústria italiana do cinema nasceu nos primeiros
anos do século XX, mas só se firmou a partir de 1910, com épicos. melodramas e
comédias de extraordinária aceitação popular. O primeiro encontro entre a cultura
e o cinema na Itália teve a participação do escritor Gabriele D'Annunzio e
culminou quando ele se associou a Giovanni Pastrone (na tela, Piero Fosco) em
Cabiria, em 1914, síntese dos superespetáculos italianos e modelo para a
indústria cinematográfica da década de 1920. Nesse filme, Pastrone usou
cenários gigantescos, empregou pela primeira vez a técnica do travelling,
fazendo a câmara deslocar-se sobre um carro, e usou iluminação artificial, fato
notável para a época.
Entre os títulos mais famosos do período estão Quo vadis?, de Arturo Ambrosio, Addio
giovinezza (1918; Adeus, mocidade) e Scampolo (1927), de Augusto Genina, ambos
baseados em peças teatrais; Dante e Beatrice (1913), de Mario Caserini, versões
de Gli ultimi giorni di Pompei (1913; Os últimos dias de Pompéia), de Enrico
Guazzoni, e outros.
2.8 - Surgimento
do cinema sonoro
Desde a invenção do cinema já se experimentava em
vários países a sincronização de imagem e som. Edison foi o primeiro a
conseguir o milagre, mas os produtores não se interessaram de imediato: a
sonorização implicaria a obsolescência de equipamentos, estúdios e salas de
espetáculos, além de altíssimos investimentos.
Nos Estados Unidos, onde Griffith começara a perder
prestígio após dirigir Broken Blossoms (1919; O lírio partido) e Orphans of the
Storm (1921; Órfãos da tempestade), a crise levava a falências e fusões de
algumas produtoras e ao aparecimento de outras mais audaciosas. Hollywood
crescia, o estrelismo era um fenômeno consagrado, com salários astronômicos pagos
a atores e atrizes como William S. Hart, Lon Chaney e Gloria Swanson, mas nem
sempre as receitas eram compensadoras.
A expressão mais requintada do cinema mudo em suas
diversas vertentes provinha de cineastas do nível de Cecil B. DeMille, com The
Ten Commandments (1923; Os dez mandamentos) e King of Kings (1927; O rei dos
reis); Henry King, com Tol'able David (1921; David, o caçula) e Stella Dallas
(1925); King Vidor, com The Big Parade (1925; O grande desfile) e The Crowd
(1928; A turba); Erich Von Stroheim, com Foolish Wives (1921; Esposas
ingênuas), Greed (1924; Ouro e maldição) e The Merry Widow (1925; A viúva
alegre), além de Ernst Lubitsch, James Cruze, Rex Ingram, Frank Borzage, Joseph
Von Sternberg, Raoul Walsh e Maurice Tourneur. Todos eles contribuíam para o
progresso estético do cinema, mas dependiam totalmente dos poderosos chefes de
estúdio e das rendas da bilheteria.
À beira da falência, os irmãos Warner apostaram seu
futuro no arriscado sistema sonoro, e o êxito do medíocre mas curioso The Jazz
Singer (1927; O cantor de jazz) consagrou o chamado "cinema falado",
logo cantado e dançado. Dos Estados Unidos, os filmes sonoros se estenderam por
todo o mundo, em luta com a estética muda. O cinema se converteu num espetáculo
visual e sonoro, destinado a um público maior, e passou a dar mais importância
aos elementos narrativos, o que levou a arte ao realismo e à dramaticidade do
dia-a-dia.
Consolidado com obras como Hallelujah! (1929;
Aleluia!), de King Vidor, e Applause (1929; Aplauso), de Rouben Mamoulian, o
cinema sonoro resistiu à crise econômica da grande depressão e gradativamente
enriqueceu gêneros e estilos. Mas Charles Chaplin, opondo-se ao sistema sonoro,
continuou a criar obras-primas à base de pantomima fílmica, como City Lights
(1931; Luzes da cidade) e Modern Times (1936; Tempos modernos).
Apesar da crise, Hollywood acreditou e investiu no
país. A comédia, com Frank Capra, era a melhor representação do otimismo que
sensibilizava os americanos, com obras aplaudidas como Mr. Deeds Goes to Town
(1936; O galante Mr. Deeds), You Can't Take It With You (1938; Do mundo nada se
leva) e Mr. Smith Goes to Washington (1939; A mulher faz o homem).
Popularizaram-se também na década de 1930 os filmes de gângster, par a par com
os westerns, que se aprimoravam e ganhavam enredos complexos. O problema do
banditismo urbano, questão social grave, foi abordado em filmes de impacto como
Little Caesar (1930; Alma do lodo), de Mervyn Le Roy, The Public Enemy (1931; O
inimigo público), de William Wellman, e Scarface (1932; Scarface, a vergonha de
uma nação), de Howard Hawks, biografia disfarçada de Al Capone.
Hollywood focalizou os heróis e vilões da saga da
conquista do oeste em filmes de ação como Stagecoach (1939; No tempo das
diligências) e muitos outros de John Ford; Raoul Walsh, que em 1930 já
experimentava a película de setenta milímetros com The Big Trail (A grande
jornada); King Vidor, com Billy the Kid (1930; O vingador); e ainda William
Wellman, Henry King, Cecil B. DeMille, Henry Hathaway e outros.
Outras vertentes fluíram, como o musical de Busby
Berkeley e a série dançante de Fred Astaire e Ginger Rogers; as comédias
malucas e sofisticadas que consagraram Ernst Lubitsch, Leo McCarey, Howard
Hawks, William Wellman, Gregory La
Cava e George Cukor, além dos irmãos Marx, que dispensavam
diretores; e os dramas de horror como Frankenstein (1931), de James Whale,
Dracula (1931), de Tod Browning, Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1932; O médico e o
monstro), de Roubem Mamoulian, e The Mummy (1932; A múmia), de Karl Freund.
Finalmente floresceu o melodrama, com torrentes de
sentimentalismo, dilemas morais e supremacia feminina. William Wyler
destacou-se como diretor romântico em Wuthering Heights
(1939; O morro dos ventos uivantes). Dentre outros realizadores que revigoraram
o gênero figura o austríaco Josef Von Sternberg, responsável pela transformação
da atriz alemã Marlene Dietrich em mito e símbolo sexual. Mas o melodrama teve em Greta Garbo sua maior
estrela e nos diretores John M. Stahl, Clarence Brown, Frank Borzage e Robert
Z. Leonard seus principais cultores.
2.9 - Realismo
poético na França
A chegada do filme sonoro levou os diretores franceses
a trocar a vanguarda experimental por uma estética naturalista, iniciada por
René Clair com Sous les toits de Paris (1930; Sob os telhados de Paris). Clair criou um estilo próprio de comentar a
realidade com melancolia em Million (1931; O milhão), À nous la liberté (1932;
Viva a liberdade) e outras comédias. Maior naturalismo apresentava a obra de
Jean Renoir, que desvendou com violência, ironia e compaixão as fraquezas
humanas em Les Bas-fonds
(1936; Bas-fonds), La
Grande Illusion (1937; A grande ilusão) e La Règle du jeu (1939; A regra
do jogo), estes últimos votados pela crítica como dois dos maiores filmes do
mundo.
O naturalismo e o
realismo que dominaram a tela francesa na década de 1930 apresentava
personagens das classes populares em ambientes sórdidos, tratados com poesia e
pessimismo. Os diretores que participaram com realce dessa fase foram Marcel
Carné, Jacques Feyder, Julien Duvivier, Pierre Chenal e Marc Allegret. No
âmbito populista, o maior nome foi decerto o de Marcel Pagnol.
2.10 - Outras
escolas
Na Alemanha, o cinema sonoro firmou-se com
ex-discípulos do expressionismo, como Fritz Lang, que fez M (1931; M, o vampiro
de Düsseldorf). O nazismo coibiu a criatividade e policiou fortemente a
produção. Na Inglaterra revelou-se um mestre do suspense, Alfred Hitchcock, que
iria para os Estados Unidos em 1936. John Grierson e o brasileiro Alberto
Cavalcanti, que se iniciara na França como cenógrafo, roteirista e diretor,
desenvolveriam uma importante escola documental que focalizava os problemas
sociais.
Na Itália, apesar da censura fascista, que só
incentivava aventuras históricas e melodramas inócuos, floresceu a comédia de
costumes, uma tendência denominada "caligráfica" por suas
características formalistas. Entre os títulos e autores desse período se
destacaram Alessandro Blasetti, em Ettore Fieramosca (1938) e Un giorno nella vita
(1946; Um dia na vida); Mario Camerini, com Gli uomini, che mescalzoni! (1932;
Os homens, que velhacos!); Goffredo Alessandrini, Mario Soldati, Amleto Palermi
e outros. Na União Soviética, o culto da personalidade e o "realismo
socialista" impostos pelo stalinismo não impediram o aparecimento de
cineastas que fizeram filmes de bom nível. Exemplos foram Olga Preobrajenskaia,
com Tikhii Don (1931; O Don silencioso), Nikolai Ekk, com o mundialmente famoso
Putyova v jizn (1931; O caminho da vida), e Mark Donskoi, com Kak zakalyalas
stal (1942; Assim foi temperado o aço).
2.11 - Cinema
no pós-guerra
Com o fim da segunda guerra mundial, o cinema
internacional entrou numa fase de transição cujas principais características
foram o repúdio às formas tradicionais de produção e um inédito compromisso
ético dos artistas. Assumindo atitude mais crítica em relação aos problemas
humanos, o cinema rompeu com a tirania dos estúdios e passou a procurar nas
ruas o encontro de pessoas e realidades.
a) Itália
A queda do fascismo foi acompanhada de uma revolução
estética consubstanciada no neo-realismo. De caráter político e social, os
filmes desse movimento focalizavam situações dramáticas das camadas humildes da
sociedade, com imaginação criadora e impressionante autenticidade. Luchino
Visconti, com Ossessione (1942; Obsessão), abriu o caminho, consolidado com
Roma, città aperta (1945; Roma cidade aberta), de Roberto Rossellini, sobre os
últimos dias da ocupação nazista de Roma. Outros diretores desse ciclo foram
Vittorio De Sica, autor de Ladri di biciclette (1948; Ladrões de bicicleta);
Giuseppe de Santis, com Riso amaro (1948; Arroz amargo), e Alberto Lattuada,
com Il mulino del Po (1948; O moinho do Pó).
As gerações seguintes de cineastas italianos
formaram-se nessa tradição, mas imprimiram uma marca pessoal a suas obras:
obsessões pessoais e fantasismo em Federico Fellini , realismo melancólico em Pietro Germi ,
consciência social em
Francesco Rosi , contestação existencialista em Marco Bellocchio ,
intelectualismo desesperado em Pier Paolo Pasolini , angústia da incomunicabilidade
em
Michelangelo Antonioni.
b) Estados
Unidos
Na década de 1940 destacou-se Orson Welles, que
contribuiu para a arte do cinema com Citizen Kane (1941; Cidadão Kane), filme
no qual utilizou recursos técnicos que revolucionariam a linguagem fílmica. A
crise no cinema, motivada pela campanha anticomunista da Comissão de Atividades
Antiamericanas, instigada pelo senador Joseph McCarthy, se aprofundou com a
caça às bruxas e a intolerância levou ao exílio grandes cineastas como Charles
Chaplin, Jules Dassin e Joseph Losey. Surgiram, no entanto, valores como John
Huston, que se especializara em thrillers repletos de pessimismo como The
Maltese Falcon (1941; Relíquia macabra), The Treasure of the Sierra Madre
(1948; O tesouro de Sierra Madre) e The Asphalt Jungle (1950; O segredo das
jóias).
A essa geração pertenceram Elia Kazan, também diretor
de teatro, o austríaco Billy Wilder, autor de comédias e da amarga sátira
Sunset Boulevard (1950; Crepúsculo dos deuses), e Fred Zinnemann, cujo maior
êxito foi High Noon (1952; Matar ou morrer). Na década de 1950, a comédia
musical experimentou grande impulso, graças ao requintado Vincente Minnelli, ao
diretor Stanley Donen e ao dançarino Gene Kelly, responsáveis pelo esfuziante e
nostálgico Singin' in the Rain (1952; Cantando na chuva) e o frenético e
onírico On the Town (1949; Um dia em Nova York ).
A popularização da televisão provocou séria crise
financeira na indústria americana, ampliada pelo sucesso dos filmes europeus.
Os produtores recorreram a truques como a tela panorâmica (Cinemascope), o
cinema tridimensional e superproduções como Ben Hur (1959), de William Wyler.
Mas em Hollywood ganhavam espaço os diretores intelectualizados, como Arthur
Penn, John Frankenheimen, Sidney Lumet, Richard Brooks e outros. O maior
expoente da época foi Stanley Kubrick, antimilitarista em Paths of Glory (1958;
Glória feita de sangue) e futurista em 2001: A Space Odyssey (1968; 2001: uma
odisséia no espaço).
O
western utilizou o saber dos veteranos e se renovou com Anthony Mann, Nicholas
Ray, Delmer Daves e John Sturges. A comédia de Jerry Lewis, no entanto, jamais repetiu a inventividade da
escola de Mack Sennett, Buster Keaton, Harold Lloyd e outros ases da slapstick
comedy -- a comédia pastelão das décadas de 1920 e 1930.
Mais tarde, o fim dos grandes estúdios e, em parte, as
exigências de um público jovem encaminharam para novos rumos o cinema
americano. Uma visão independente e autocrítica do sistema de vida nos Estados
Unidos tornou-se exemplar a partir da década de 1960 com Easy Rider (1969; Sem
destino), de Dennis Hopper. Para satisfazer ao numeroso público juvenil, Steven
Spielberg realizou espetáculos fascinantes, repletos de efeitos especiais e
ação ininterrupta, como Raiders of the Lost Ark (1981; Caçadores da arca
perdida) e E.T. (1982; E.T., o extraterrestre), enquanto George Lucas
revitalizava o filão da ficção científica com o clássico Star Wars (1977;
Guerra nas estrelas). Outros destaques cabem a Francis Ford Coppola e Martin
Scorsese.
Finalmente, nas últimas décadas do século XX, enquanto
a crise econômica avassalava os países subdesenvolvidos, incapazes de manter um
cinema competitivo, os americanos reconquistaram faixas do público doméstico e
disseminaram suas produções pela Europa, Ásia e nos países que emergiram da
redistribuição geográfica decorrente do fim do bloco socialista. Tornaram-se
freqüentes as refilmagens e as novas abordagens de antigos dramas românticos,
ao lado da exploração contínua de fantasias infantis, violência e sexo.
c) França
Depois da segunda guerra mundial, poucos diretores
antigos mantiveram intacto seu estilo. A renovação estava à vista, como davam a
entender os filmes de René Clément. No final da década de 1950, um movimento
chamado nouvelle vague, liderado pelos críticos da revista Cahiers du Cinéma,
reivindicou um "cinema de autor" pessoal, de livre expressão
artística. Era o naturalismo que regressava sofisticado. Entre os iniciadores
estavam Claude Chabrol e François Truffaut, diretor de Les Quatre Cents Coups
(1959; Os incompreendidos), e Jean-Luc Godard, com À bout de souffle (1959;
Acossado). Foi Godard quem melhor sintetizou as aspirações dos novos cineastas.
Intelectualizado e personalíssimo, Alain Resnais, com
roteiro do romancista Alain Robbe-Grillet, realizou L'Année dernière à
Marienbad (1960; O ano passado em Marienbad), um jogo intelectual com o tempo e
o espaço que homenageiava o experimentalismo do passado. Bertrand Tavernier
homenageou Jean Renoir em Un dimanche à la campagne (1984; Um sonho de
domingo).
d) Reino
Unido
Enquanto o país se recuperava dos estragos causados
pela guerra, consolidou-se a indústria cinematográfica, impulsionada pelo
produtor Arthur Rank, que colaborou com o ator e diretor Laurence Olivier em
Hamlet (1948). Carol Reed, com The Third Man (1949; O terceiro homem), e David
Lean, com Lawrence of Arabia (1962), tornaram-se os mais inventivos e vigorosos
dos cineastas britânicos.
Após o medíocre decênio de 1950, salvo por comédias de
costumes saídas dos estúdios da Ealing, e o de 1960, no qual se destacaram os
filmes dos Beatles e os dramas do grupo do Free cinema, a produção inglesa
recuperou-se fugazmente com os filmes de Joseph Losey, Hugh Hudson e Richard
Attenborough. Os dois últimos ganharam, com Chariots of Fire (1980; Carruagens
de fogo) e Gandhi (1982), o Oscar da Academia de Hollywood.
e) Espanha
Até o fim da guerra civil, em 1939, o cinema espanhol
foi pouco relevante. A ditadura do general Francisco Franco manteve a indústria
cinematográfica sob controle oficial e voltada para as reconstruções
históricas. Apesar da censura, na década de 1950 apareceram diretores que se
inspiraram na tradição realista para fazer crítica social e estudos de
comportamentos. É o caso de Luis García Berlanga, que em Bienvenido Mr. Marshall
(1952) satirizava o mundo rural e a presença dos Estados Unidos na Espanha, e
de Juan Antonio Bardem, com Muerte de un ciclista (1955). A partir da década de
1960, Carlos Saura tornou-se o nome de maior prestígio internacional, com
adaptações da literatura, como Carmen (1983), e do teatro, como peças de
Federico García Lorca. A década de 1970 seria marcada pela comédia dramática
cultivada por diretores como Pedro Almodóvar e Fernando Trueba.
f) América
Latina
Nos países de língua espanhola do continente americano
verificou-se, após a segunda guerra mundial, um esforço de produção quase
sempre frustrado pelas ditaduras locais. Ainda assim, mexicanos e argentinos
tiveram momentos de glória. No México se destacaram Emilio Fernandez, vencedor
do festival de Cannes com Maria Candelaria (1948), e o espanhol Luís Buñuel,
que passou do surrealismo a um cinema eclético mas sempre iconoclasta e
realizou, em seu exílio mexicano, filmes como Los olvidados (1950; Os
esquecidos), El ángel exterminador (1962) e Simón del desierto (1965).
Na Argentina
predominaram por algum tempo os dramas passionais e as comédias sentimentais,
contra os quais reagiram os membros da nueva ola, a nouvelle vague argentina.
Fernando Birri e Leopoldo Torre-Nilsson, com La casa del ángel (1957), foram
seus mais importantes criadores. Anos depois, Luis Puenzo obteve, com La
historia oficial (1984), o Oscar de melhor filme estrangeiro. A criação do
Instituto Cubano de Cinema, em 1959, impulsionou a arte e a indústria,
produzindo diretores como Humberto Solás e Tomás Gutiérrez Alea e o
documentarista Santiago Álvarez.
g) Outros
países, outras correntes
O cinema japonês, passou a ser admirado no Ocidente
após o festival de Veneza de 1951, graças a Rashomon, de Akira Kurosawa. Revelando rico passado, com múltiplas influências
de teatro e tradições nacionais, desenvolveu-se com diretores de categoria:
Mizoguchi Kenji, autor de Ogetsu monogatari (1953; Contos da lua vaga) e Kaneto
Shindo com Genbaku noko (1952; Os filhos de Hiroxima). No cinema da Índia, onde
a produção era enorme mas de pouco valor artístico, vale destacar Satyajit Ray,
diretor de Pather Panchali, laureado em Cannes em 1956.
Nos países escandinavos o estilo do sueco Ingmar
Bergman brilhou por quase três décadas, sempre explorando o aspecto existencial
do ser humano em obras como Smultronstället (1957; Morangos silvestres), Det
sjunde inseglet (1956; O sétimo selo) e muitos outros. Nos países do leste
europeu, a orientação oficial para o realismo socialista foi superada por
autores como o polonês Andrzej Wajda em Popiol i diament (1958; Cinzas e
diamantes), o húngaro Miklós Jacsó em Szegenylegenyek (1966; Os
desesperançados), e o soviético Andrei Tarkovski. Na antiga Tchecoslováquia, um
cinema mais vigoroso apontou com seu supremo criador Milos Forman, principalmente
com Lásky jedné plavovlásky (1965; Os amores de uma loura), êxito mundial que o
conduziu a Hollywood.
Na
Alemanha, a partir da década de 1960, progrediu um novo cinema de caráter
crítico. Entre seus cineastas mais notáveis estavam Volker Schlondorff, Alexander
Kluge, Rainer Werner Fassbinder, Win Wenders, Werner Herzog e Hans Jürgen
Syberberg.
Fonte:
©Encyclopaedia
Britannica do Brasil Publicações Ltda.
Grandes Companhias de Dança
Alvin Ailey American Dance Theater
Quando, em 1958, Alvin Ailey e um grupo
de jovens negros de dança moderna se apresentaram com o balé "Blues
Suites" em Nova York ,
o primeiro sucesso financeiro e da crítica, surgiu a Companhia de Dança Alvin
Ailey. A fama veio bem rápido e foi o primeiro grupo de dança americano que se
apresentou na Rússia depois de 50 anos, em 1970. Esta companhia se apresentou
em Leningrado, recebendo uma ovação de mais de vinte minutos. É uma das mais marcantes
referências da cultura norte americana. Em cada apresentação, por vários
países, é apresentado um repertório moderno e novas criações, levando ritmos,
movimentos e espetáculos que fascinam um público de todas as idades.
American Ballet Theatre
É reconhecido como uma das grandes
companhias de dança do mundo. Foi fundado em 1940 com o objetivo de desenvolver
um repertório com os melhores e mais belos balés do passado e dar oportunidade
de criação aos novos coreógrafos.
Com a direção exuberante de Lucia Chase
e Oliver Smith, de 1940 até 1980, o ABT desenvolveu um trabalho fantástico
confirmando a importância histórica do balé do século XIX.
Alguns dos trabalhos são "O Lago
dos Cisnes", "A Bela Adormecida" e "Giselle". Ainda no
repertório de absoluto sucesso constam os aclamados balés contemporâneos
"Apollo" e "La
Sylphide ". Em 1980, o bailarino Mikhail Baryshnikov se
tornou diretor artístico, continuando um trabalho estável e dedicado,
reforçando a tradição clássica. Em 1992, o primeiro bailarino Kevin McKenzie
foi apontado para a Diretoria e levou ao mundo as grandiosas performances da
Companhia.
O American Ballet Theatre coleciona
coreografias dos mais conceituados e geniais coreógrafos do século XX. Essa
Companhia, reconhecida internacionalmente, apresenta-se anualmente para mais de
600.000 pessoas na América e faz turnês para mais de 42 países do mundo.
Ballet de L'Opera de Paris
A história do elenco do balé do Teatro
Ópera de Paris data de 1661, quando a Academia Real de Dança foi fundada. Este
corpo de baile está associado aos mais brilhantes nomes dos melhores bailarinos
do mundo. Foi no palco deste teatro que Maria Taglioni apareceu pela primeira
vez dançando na ponta dos pés. Para esta companhia não existe fronteira entre o
contemporâneo e o clássico, todo seu repertório mistura com precisão o encanto
dos grandes balés tradicionais com obras dos mais destacados projetos
contemporâneos.
Ballet do Teatro Guaíra
Grupo de dança contemporâneo criado em
1969 e mantido pelo estado do Paraná. Considerado um dos principais núcleos de
criação coreográfica do Brasil, trabalha tanto com coreógrafos brasileiros como
internacionais. Uma das suas criações mais famosas é o balé O Grande Circo
Místico, com canções de Edu Lobo e Chico Buarque.
Ballet do Theatro Municipal do Rio de
Janeiro
Formado em 1936, o Corpo de Baile do
Theatro Municipal é uma companhia profissional e grandiosa que monta grandes
obras do repertório de ballet. Tem um corpo de baile com quase 100 bailarinos e
profissionais principais que incluem a lista dos maiores nomes do ballet
nacional e internacional, como a extraordinária Ana Botafogo.
Costumam apresentar-se no exterior, a
convite de algumas das principais companhias e instituições da dança do mundo.
Atualmente, o Diretor Artístico do Corpo de Baile é o bailarino Richard Cragun.
O Ballet do Theatro Municipal conta ainda com o serviço da Escola de Dança
Maria Olenewa, de onde saem os grandes talentos do balé brasileiro.
Ballet Nacional de Cuba
Uma das mais famosas companhias de balé
do mundo, o Ballet Nacional de Cuba, foi fundado em 1948, pela bailarina Alicia
Alonso. O trabalho da companhia segue uma tradição romântica e clássica e
estimula, ao mesmo tempo, o trabalho criativo de novos coreógrafos. Apesar de
grande atividade dentro de seu país, onde tenta projetar socialmente sua arte a
nível popular, o Ballet Nacional de Cuba excursiona por vários países da
Europa, Ásia e América.
Ballet Stagium
Companhia de dança contemporânea
fundada em 1971 em
São Paulo. Usando a técnica como meio e não como um fim, o
Stagium estabeleceu-se com obras de conteúdo social, como Quarup, e em suas
criações utiliza aspectos tipicamente brasileiros. Como suas produções se
adaptam a vários tipos de espaço, faz apresentações em pátios, igrejas,
favelas, hospitais, estações de metrô, entre outros. Vários compositores
criaram partituras originais para suas coreografias, como também foi a primeira
companhia de dança brasileira a usar músicas de compositores populares. Mantém em São Paulo um centro
cultural com cursos de dança.
Ballets Russes
Esta famosa companhia de balé foi
criada em 1909 por Sergei Diaghilev em São Petersburgo.
Numerosos bailarinos e coreógrafos como Nijinski, Pavlova,
Fokine e Serge Lifar, foram revelados por esta companhia, assim como também os
compositores russos Stravinsky e Rimsky-Korsakov.
Pintores famosos, como Picasso, Matisse
e Braque, muitas vezes se inspiraram nos balés, como temas de sua pintura.
A companhia fez numerosas turnês pelo
mundo e, entre os grandes balés criados por ela, estão " Pássaro de
Fogo" e " Sherazade" apresentados em 1910, ambos coreografados
por Fokine e compostos por Stravinsky, o primeiro, e o outro por Korsakov.
Béjart Ballet Lausanne
Esta companhia teve origem no Ballet do
XXe siècle, criada em 1960 por Maurice Béjart em Bruxelas. Em 1985 ele
deslocou-a para Lausanne e renomeou-a como Béjart Ballet Lausanne. Durante
estes vários anos de atividade, este balé foi sempre um instrumento
privilegiado de um dos coreógrafos mais criativos do século XX.
A companhia composta de 35 bailarinos
se apresenta nos grandes teatros do mundo, mostrando em suas coreografias,
através de uma técnica clássica, as aspirações e interrogações atuais do mundo,
despertando interesse cada vez maior nas diversas platéias mundiais.
Bolshoi Ballet
Companhia de balé russa, sediada em
Moscou e formada em 1776, famosa por um estilo de dança atlético e vigoroso.
O balé de Bolshoi começou como uma
escola de dança em 1773. No início do século XX, a companhia introduziu um
realismo dramático nos balés clássicos. Em 1930 foi a vez de entrarem danças
folclóricas em seu repertório.
O Bolshoi sempre é aclamado pelo seu
magistral conjunto, uniformidade de movimentos e realismo em cenários e
figurinos.
As produções mais aclamadas incluem
versões modernas como, ""Spartacus", e também clássicos como
"Lago dos Cisnes" e "Giselle".
Companhia de Dança Débora Colker
Formada na década de 90, apresentou-se
pela primeira vez com o espetáculo "Vulcano", que exibiu uma colagem
de cenas com músicas populares. A companhia alcançou sucesso no seu segundo
espetáculo, explorando a força, o equilíbrio e a flexibilidade do bailarino com
coreografias dos esportes e da neurose urbana. Sua companhia foi a primeira a
assumir o mercado cultural brasileiro e se expor para grandes públicos. Junta o
popular e o erudito com extrema criatividade e abusa das tecnologias para a
cena. A companhia tem como objetivo atrair e surpreender o público com
novidades e acrobacias mirabolantes. Os espetáculos são sempre comunicativos,
expressivos, divertidos e emocionantes. As coreografias têm velocidade, muito
movimento, geometria e pura adrenalina. A Companhia de Dança Débora Colker
entende como fundamental a técnica clássica para qualquer tipo de apresentação
de dança.
Grupo Corpo
Companhia de dança contemporânea
fundada em 1975 em Belo
Horizonte , pelos irmãos Pederneiras, tendo Paulo como diretor
geral e artístico e responsável pela iluminação, Rodrigo, bailarino e
coreógrafo e Miriam, ex-bailarina, assistente de coreografia e preparadora
física.
Rodrigo Pederneiras, em seus primeiros
anos de trabalho, dedicou-se a fazer coreografias com músicas locais, e suas
duas montagens de sucesso foram "Maria, Maria" e "Ultimo
Trem", ambas com música de Milton Nascimento.
A partir daí, o Grupo Corpo vem criando
espetáculos de grande repercussão não só no Brasil mas também em vários países
do mundo. A união da música com a dança é uma constante em todos os trabalhos.
No exterior, o grupo obteve sucesso com
coreografias para Prelúdios de Chopin e Canções de Richard Strauss.
O Joffrey Ballet foi fundado em 1954, em Nova Iorque , com um
pequeno grupo de seis dançarinos que viajaram pela América com apresentações
únicas em cada lugar visitado. Com um repertório original e inovador, Robert
Joffrey e Gerald Arpino trouxeram para os americanos uma fórmula diferente de
dançar e se apresentar, inclusive cantando. Enfrentando muitas dificuldades
financeiras, Robert Joffrey dava aulas para poder pagar os salários dos
dançarinos da Companhia. Em 22 de janeiro de 1957, a companhia de Joffrey se
apresentou pela primeira vez num grande teatro e numa grande cidade, em Chicago. Foi o início
de uma jornada que levou a Companhia ao redor do mundo e realmente consagrou
internacionalmente o talento de Robert Joffrey e seus dançarinos através dos
tempos. Seu estilo original elevou o balé americano do século XX. Joffrey
marcou a cultura americana com um trabalho de vanguarda.
Kataklò
Em 1995, Giulia Stacciolo, ginasta
olímpica e bailarina do Momix, seu marido Andrea Zorzi, famoso jogador de
vôlei, e um grupo de atletas e campeões olímpicos criaram o Kataklò Dance
Athletic Theatre. Katatlò vem de uma antiga expressão grega que significa
dançar dobrando e torcendo o próprio corpo. Estreou em 1996 com o espetáculo
"Fair Play," que mostrava como juntar a dança e o esporte num show de
graça, talento e criatividade. Foi apresentado na Copa do Mundo na França e nos
Jogos Olímpicos de Sidney. Os artistas do Kataklò são conhecidos e apreciados
por um público de todas as idades, línguas e diferentes culturas em todo o
mundo; para eles o esporte foi o ponto de partida, escola de disciplina,
sacrifício e devoção, e o teatro, o seu destino, a alegria e a arte. Sob a
direção de Giulia e através de um trabalho sério de todo o elenco, Kataklò
possui uma perfeição técnica sem perder a graça e a beleza.
Kirov Ballet
Companhia russa de balé, da cidade de
São Petersburgo, sucedeu o Balé Imperial Russo e herdou seu estilo elegante de
dança.
Sob a direção de Marius Petipa, a
companhia estreou os balés de Tchaikovsky, "Bela Adormecida" e
"Lago dos Cisnes".
Ela entrou em declínio depois da
Revolução Russa de 1917, mas a grande professora e mestra de balé Vaganova
ajudou a preservar as tradições, treinando os principais bailarinos.
Durante a guerra fria, a companhia
experimentou tantas dificuldades que três de seus mais notáveis bailarinos,
Natalia Makarova, Rudolph Nureyev e Mikhail Baryshnikov, fugiram para o
Ocidente e ganharam reputação internacional. Desde a queda da União Soviética,
a companhia tem produzido ao lado de seu repertório tradicional, balés de
Balanchine e outros coreógrafos modernos.
Fundada pela bailarina
e coreógrafa Martha Graham em 1926, é uma das mais antigas e bem conceituadas
companhias de dança contemporânea da América. Suas performances já chegaram a
mais de 50 países, se apresentando nos teatros mais importantes do mundo. Seu
corpo de bailarinos já participou também de filmes premiados, apresentações
para a televisão e gravações para diversos videocassetes. A companhia de Martha
Graham tem mais de 181 trabalhos coreografados e exibidos por ela e diversos
outros coreógrafos convidados. Ela classifica sua dança como contemporânea
devido à correlação com o mundo de hoje. Os membros de sua Companhia continuam
seu trabalho com fidelidade aos propósitos estabelecidos pela fundadora.
Royal Ballet
Companhia nacional de balé inglesa,
fundada em 1931 por Ninette de Valois como o Vic-Wells Ballet.
A companhia tornou-se mais tarde
conhecida por Saddler's Wells Ballet antes de lhe ser concedido o nome atual
por privilégio real em 1956.
É
reconhecido por suas produções dramáticas, por um disciplinado corpo de baile e
brilhantes apresentações de seus artistas principais.
Sua primeira bailarina foi Alicia
Markova e, além dela, se encontram entre os mais notáveis Margot Fonteyn e
Rudolf Nureyev.
Stomp
Stomp é uma companhia que apresenta uma
combinação de percussão, movimento e performances cômicas inesperadas, criada
em Brighton, Inglaterra em 1991.
Foi o resultado de dez anos de um
trabalho conjunto de seus criadores: Luke Cresswell, um percussionista
autodidata, e Steve McNicholas, ator, músico e escritor.
A
companhia possui vários grupos, que se apresentam ao redor do mundo; cada um
deles tem seu próprio estilo, seu modo de sentir, isto porque mesmo que a
apresentação seja fortemente coreografada e orquestrada, existe um grande
espaço para que cada artista tenha oportunidade de brilhar individualmente.
Cada apresentação demonstra tanto a performance vigorosa dos oito artistas
quanto a marca estonteante do ritmo, que normalmente é marcado por objetos
comuns usados no dia a dia das pessoas.
O Stomp é ritmo, quase não há melodia,
no verdadeiro sentido da palavra, e por isso não importa o gosto musical do
espectador, pois ritmo é comum a todas as culturas.
Béjart Ballet Lausanne
Esta companhia teve origem no Ballet do
XXe siècle, criada em 1960 por Maurice Béjart em Bruxelas. Em 1985 ele
deslocou-a para Lausanne e renomeou-a como Béjart Ballet Lausanne. Durante
estes vários anos de atividade, este balé foi sempre um instrumento
privilegiado de um dos coreógrafos mais criativos do século XX.
A companhia composta de 35 bailarinos
se apresenta nos grandes teatros do mundo, mostrando em suas coreografias,
através de uma técnica clássica, as aspirações e interrogações atuais do mundo,
despertando interesse cada vez maior nas diversas platéias mundiais.
Fonte:
HISTÓRIA DA ARTE - 5a. Parte: Do Concreto a Arte Naif
IDADE CONTEMPORÂNEA
15. ARTE CONCRETA
ARTE FIGURATIVA, ARTE ABSTRATA E
ARTE CONCRETA
“A arte é apenas um
substituto enquanto a beleza da vida for deficiente. Desaparecerá
proporcionalmente, à medida que a vida adquirir equilíbrio.” Piet Mondrian
Em épocas passadas, quando o homem vivia em contato com a natureza, e quando ele mesmo era mais natural que hoje, exprimia seu pensamento com traços, combinações repetitivas e desenhos geométricos, que para ele simbolizava algo.
Em
geral, assim foi no inicio das civilizações, como podemos comprovar se observarmos
os desenhos na arte cerâmica e nos outros utensílios de nossos índios.
Gradativamente,
o homem foi desenvolvendo o interesse por representar o mundo visível, imitando
a natureza, e durante séculos este sistema foi sendo aperfeiçoado e adotado,
principalmente na Arte Ocidental. Esculturas, pinturas e gravuras, deviam ser
imagens da realidade.
Entretanto, por uma série de razões históricas e estéticas, alguns artistas europeus no inicio do século 20, procuraram romper com todo um passado de arte figurativa, propondo uma nova maneira de representação.
Entretanto, por uma série de razões históricas e estéticas, alguns artistas europeus no inicio do século 20, procuraram romper com todo um passado de arte figurativa, propondo uma nova maneira de representação.
Para
melhor entendimento da arte abstrata há duas tendências principais: uma mais
lírica, subjetiva e espiritual e outra mais intelectual, da regra, da
geometria, embora as duas tenham em comum uma raiz idealista e mística.
Da
primeira, é preciso lembrar-se do pintor russo Wassily Kandinsky (1886-1944),
que já em 1910 fazia aquarelas abstratas. Para ele, toda forma tem um conteúdo,
nela mesma, o artista se serve das formas como teclas de um piano, ao tocá-las
“põe vibração a alma humana”. Um quadro pode emocionar como a música apenas
pelas linhas, formas e cores, mas com autonomia do mundo visível,
proporcionando liberdade de interpretação e estímulo para a imaginação.
Da
outra tendência, cujas idéias inspiram-se na perfeição das leis cientificas e
matemáticas, podemos citar o artista, também russo, Malevitch (1878-1935), que
em 1913 declara que: “Para libertar a arte do peso da subjetividade, me
refugiei na forma do quadrado negro sobre um fundo branco, os críticos e o
público se queixaram.”
O
expoente mais seguro do abstracionismo geométrico é Piet Mondrian, holandês
(1872-1944), que expõe “a mais pura representação do Universo”, restringindo-se
a linhas verticais e horizontais, limitando as cores para as primárias (azul,
vermelho e amarelo) e não as cores como o branco e o preto.
Por
volta de 1930, com o desenvolvimento do abstracionismo dizer “arte abstrata”
era impróprio, pois ela não abrangia representações tão diversas.
Assim,
nesse mesmo ano, o artista holandês Theo Van Doesburg, declara que: “Pintura
concreta e não abstrata, pois nada é mais concreto, mais real que uma linha,
uma cor, uma superfície... Uma mulher, uma árvore, uma vaca, são concretos no
estado natural, mas no estado de pintura são abstratos, ilusórios, vagos,
especulativos, ao passo que um plano é um plano, uma linha é uma linha, nem
mais nem menos.”
O
movimento concretista encontra precedentes imediatos nos holandeses Mondrian e
Theo Van Doesburg, que rejeitam a subjetividade e criam um idioma plástico
universal. No movimento russo, o construtivismo, que além de uma arte visual e
abstrata, propõem um arte integrada à ciência, à técnica, à transformação
social. Na Bauhaus (Alemanha, 1919-1933), Escola Superior de Criação Industrial
que leva a arte para o design.
Seguidor
das idéias de Theo Van Doesburg, Max Bill, nascido na Suíça, em 1908, dá
continuidade ao concretismo a partir de 1936. Sediado na Suíça, o movimento
espalha-se pela América Latina, Argentina e, posteriormente, Brasil e Alemanha.
Em
1950, o MASP (Museu de Arte de São Paulo) organiza uma exposição do conjunto
das obras de Max Bill – arquitetura, escultura e pintura –, que foi fundamental
para o conhecimento da arte concreta no Brasil.
ARTE CONCRETA NO BRASIL
A época da penetração e desenvolvimento da arte geométrica no Brasil coincide com a euforia de desenvolvimento do pós-2ª Guerra Mundial, com a implantação de indústrias nacionais como a automobilística, a criação da Petrobras, siderúrgicas, o crescimento das cidades e novos meios de comunicação, como a televisão.
Importante
lembrar que, no mesmo período, houve a criação do Museu de Arte de São Paulo
(MASP), em 1947, e do Museu de Arte Moderna (MAM), em 1948, que se empenharam
em formar acervos e promover exposições.
Fundamental
citar também a criação da I Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, que
divulgou artistas nacionais e internacionais, proporcionando contato com
diversas tendências internacionais. Na mesma data, já se esboçava o movimento
concreto, em São Paulo
e no Rio de Janeiro.
O
marco histórico na Arte Concreta no Brasil é o Grupo Ruptura, paulista, que
apresenta um manifesto em 1952, Manifesto Ruptura, lançado na exposição do MAM
de São Paulo, e assinado por: Waldemar Cordeiro, artista e porta voz do grupo,
Sacilotto, Lothar Charoux, Anatol Wladyslaw, Kazmer Féjer, Leopold Haar e
Geraldo de Barros. Este grupo queria criar formas novas de princípios novos,
baseavam-se numa teoria rigorosa.
Em
1956 é realizada no MAM, São Paulo, a I Exposição Nacional de Arte Concreta,
ocasião que é lançado o Manifesto da Poesia Concreta (interação de conceber o
poema como um todo matematicamente planejado).
Neste
momento, as divergências entre os grupos concretistas Frente (Rio) e Ruptura
(São Paulo) vêm à tona. Os artistas cariocas, sem abrir mão do vocabulário
abstrato, querem liberdade de criação, sem o rigor dos paulistas.
É
o neoconcretismo, cujo manifesto aparece no catálogo da I Expo Neoconcreta
(1959) com trabalhos de Amílcar de Castro, Ferreira Gular, Franz Weissmann,
Lygia Clark, Lygia Pape, Reinaldo Jardim e Théon Spanudis.
Os elementos principais do concretismo são:
- Aspiração a uma linguagem de comunicação universal, com autonomia da arte com o mundo exterior.
- Integração do trabalho de arte na produção industrial, crença na tecnologia.
- Função social, informação a todos, aplicação em todas as áreas de comunicação visual, ao artista cabe contribuir de modo abrangente para a socialização da boa forma, no design, na tipografia, etc.
- Utilização tanto no suporte como na matéria prima de materiais industrializados, produzidos em série, como ferro, alumínio, tinta esmalte, etc.
- Baseiam-se no rigor geométrico, na matemática, que estrutura ritmos e relações.
- Eliminam o gesto, o sinal da mão. O desenho é preciso, feito com régua e compasso.
- O concretismo conhece seu período mais ativo nos anos 50.
LUIZ SACILOTTO (1924-2003) - Nasceu
em Santo André ,
no ABC Paulista, em 1924, filho de imigrantes italianos. Formou-se no Instituto
Profissional Masculino, no Brás, onde estudou técnicas diversas relacionadas às
artes e ofícios, como desenho e pintura.
Seu
primeiro emprego, aos 17 anos, foi como desenhista de letras de alta precisão.
Durante muito tempo atuou como desenhista técnico, trabalhou em escritórios de
arquitetura e projetou esquadrias de alumínio para produção em série.
Desenhava
nas horas vagas, e seu aprendizado veio principalmente pelo seu profundo
interesse em artes plásticas e pelas conversas com os amigos, também artistas.
No início, seus trabalhos são figurativos. Paisagens e retratos de tendência
expressionista, mas a partir de 1947 realiza suas primeiras experiências no
domínio da abstração geométrica, sendo um dos pioneiros da arte concreta no
País.
Participa
de exposições em São Paulo
e no Rio de Janeiro, e em 1951, com apenas 27 anos, participa da I Bienal
Internacional de São Paulo, estará presente ainda na II, III, IV, VI e VII
Bienais Internacionais de São Paulo.
Em
1952, participa da XXVI Bienal de Veneza e, em dezembro do mesmo ano, é um dos
signatários do Manifesto do Grupo Ruptura, em São Paulo , e expõe com
eles no MAM, SP.
Em 1956, participa da I Exposição Nacional e Arte Concretaem São Paulo e no ano seguinte no Rio de Janeiro.
Em 1956, participa da I Exposição Nacional e Arte Concreta
Em
1960 está presente na Exposição Internacional de Arte Concreta, organizada por
Max Bill Zurique, na Suíça, que projeta nossos artistas internacionalmente. É
homenageado em 1968 com Sala Especial no I Salão de Arte Contemporânea de Santo
André. Interrompe temporariamente seu trabalho criativo, e dedica-se à sua
própria empresa de esquadrias metálicas. Recomeça com alguns estudos em guache
e experimenta na década de 70 novas linguagens, como a serigrafia. A serigrafia
é uma técnica plana em gravura, utilizada na indústria e feita com tinta
gráfica, como silk em camisetas.
Como
figura central do concretismo continuou a participar de exposições nacionais e
internacionais, ganhou vários prêmios, retrospectivas e teve suas obras
expostas nos principais museus e coleções particulares.
Sacilloto
foi pintor, desenhista e precursor da escultura de vanguarda. Desde a década de
50 conquistava e pensava o espaço tridimensional a partir de desdobramentos do
plano, revelando a complexidade do simples. Usava materiais industriais, como
chapas de alumínio, de latão, de ferro, que ele cortava e dobrava, em
constantes variações. Sua obra reflete seu pensamento claro e ordenado. Faleceu
no dia 9 de fevereiro de 2003 no ABC paulista.
16. SURREALISMO
Nas
duas primeiras décadas do século XX, os estudos psicanalíticos de Freud e as
incertezas políticas criaram um clima favorável para o desenvolvimento de uma
arte que criticava a cultura européia e a frágil condição humana diante de um
mundo cada vez mais complexo. Surgem movimentos estéticos que interferem de
maneira fantasiosa na realidade.
O surrealismo foi por excelência
a corrente artística moderna da representação do irracional e do subconsciente.
Suas origens devem ser buscadas no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio
De Chirico.
Este movimento artístico surge todas às vezes que a imaginação se manifesta livremente, sem o freio do espírito crítico, o que vale é o impulso psíquico. Os surrealistas deixam o mundo real para penetrarem no irreal, pois a emoção mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar apenas com a aproximação do fantástico, no ponto onde a razão humana perde o controle.
Este movimento artístico surge todas às vezes que a imaginação se manifesta livremente, sem o freio do espírito crítico, o que vale é o impulso psíquico. Os surrealistas deixam o mundo real para penetrarem no irreal, pois a emoção mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar apenas com a aproximação do fantástico, no ponto onde a razão humana perde o controle.
A publicação do Manifesto do
Surrealismo, assinado por André Breton em outubro de 1924, marcou
historicamente o nascimento do movimento. Nele se propunha a restauração dos
sentimentos humanos e do instinto como ponto de partida para uma nova
linguagem artística. Para isso era preciso que o homem tivesse uma visão
totalmente introspectiva de si mesmo e encontrasse esse ponto do espírito no
qual a realidade interna e externa são percebidas totalmente isentas de
contradições.
A livre associação e a análise dos sonhos, ambos métodos da psicanálise freudiana, transformaram-se nos procedimentos básicos do surrealismo, embora aplicados a seu modo. Por meio do automatismo, ou seja, qualquer forma de expressão em que a mente não exercesse nenhum tipo de controle, os surrealistas tentavam plasmar, seja por meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas, as imagens da realidade mais profunda do ser humano: o subconsciente.
A livre associação e a análise dos sonhos, ambos métodos da psicanálise freudiana, transformaram-se nos procedimentos básicos do surrealismo, embora aplicados a seu modo. Por meio do automatismo, ou seja, qualquer forma de expressão em que a mente não exercesse nenhum tipo de controle, os surrealistas tentavam plasmar, seja por meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas, as imagens da realidade mais profunda do ser humano: o subconsciente.
O
Surrealismo apresenta relações com o Futurismo e o Dadaísmo. No entanto, se os
dadaístas propunham apenas a destruição, os surrealistas pregavam a destruição
da sociedade em que viviam e a criação de uma nova, a ser organizada em outras
bases. Os surrealistas pretendiam, dessa forma, atingir uma outra realidade,
situada no plano do subconsciente e do inconsciente. A fantasia, os estados de
tristeza e melancolia exerceram grande atração sobre os surrealistas, e nesse
aspecto eles se aproximam dos românticos, embora sejam muito mais radicais.
Principais artistas
Salvador
Dali - é, sem dúvida, o mais conhecido dos artistas surrealistas. Estudou em
Barcelona e depois em Madri, na Academia de San Fernando. Nessa época teve
oportunidade de conhecer Lorca e Buñuel. Suas primeiras obras são influenciadas
pelo cubismo de Gris e pela pintura metafísica de Giorgio De Chirico.
Finalmente aderiu ao surrealismo, junto com seu amigo Luis Buñuel, cineasta. Em
1924 o pintor foi expulso da Academia e começou a se interessar pela
psicanálise de Freud, de grande importância ao longo de toda a sua
obra. Sua primeira viagem a Paris em 1927 foi fundamental para sua carreira. Fez amizade com Picasso e Breton e se entusiasmou com a obra de Tanguy e o maneirista Arcimboldo. O filme O Cão Andaluz, que fez com Buñuel, data de 1929. Ele criou o conceito de “paranóia critica“ para referir-se à atitude de quem recusa a lógica que rege a vida comum das pessoas .Segundo ele, é preciso “contribuir para o total descrédito da realidade”. No final dos anos 30 foi várias vezes para a Itália a fim de estudar os grandes mestres. Instalou seu ateliê em Roma, embora continuasse viajando. Depois de conhecerem Londres Sigmund Freud ,
fez uma viagem para a América, onde
obra. Sua primeira viagem a Paris em 1927 foi fundamental para sua carreira. Fez amizade com Picasso e Breton e se entusiasmou com a obra de Tanguy e o maneirista Arcimboldo. O filme O Cão Andaluz, que fez com Buñuel, data de 1929. Ele criou o conceito de “paranóia critica“ para referir-se à atitude de quem recusa a lógica que rege a vida comum das pessoas .Segundo ele, é preciso “contribuir para o total descrédito da realidade”. No final dos anos 30 foi várias vezes para a Itália a fim de estudar os grandes mestres. Instalou seu ateliê em Roma, embora continuasse viajando. Depois de conhecer
publicou sua biografia A Vida
Secreta de Salvador Dali (1942). Ao voltar, se estabeleceu definitivamente em Port Lligat com Gala,
sua mulher, ex-mulher do poeta e amigo Paul Éluard. Desde 1970 até sua morte
dedicou-se ao desenho e à construção de seu museu. Além da pintura ele desenvolveu
esculturas e desenho de jóias e móveis.
Joan
Miró - iniciou sua formação como pintor na escola de La Lonja , em Barcelona. Em 1912
entrou para a escola de arte de Francisco Gali, onde conheceu a obra dos
impressionistas e fauvistas franceses. Nessa época, fez amizade com Picabia e
pouco depois com Picasso e seus amigos cubistas, em cujo grupo militou durante
algum tempo. Em 1920 Miró instalou-se em Paris (embora no verão voltasse para
Montroig), onde se formara um grupo de amigos pintores, entre os quais estavam
Masson, Leiris, Artaud e Lial. Dois anos depois adquiriu forma La masía, obra
fundamental em seu desenvolvimento estilístico posterior e na qual Miró
demonstrou uma grande precisão gráfica. A partir daí sua pintura mudou
radicalmente. Breton falava dela como o máximo do surrealismo e se permitiu
destacar o artista como um dos grandes gênios solitários do século XX e da
história da arte. A famosa magia de Miró se manifesta nessas telas de traços
nítidos e formas sinceras na aparência, mas difíceis de serem elucidadas,
embora se apresentem de forma amistosa ao observador. Miró também se dedicou à
cerâmica e à escultura, nas quais extravasou suas inquietações pictóricas.
Para seu conhecimento
“O
sonho não pode ser também aplicado à solução das questões fundamentais da
vida?” (fragmento do Manifesto do Surrealismo de André Breton, francês que
lançou o movimento).
No mesmo manifesto, Breton define
Surrealismo: "Automatismo psíquico pelo qual alguém se propõe a exprimir,
seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o
funcionamento real do pensamento".
17. COBRA
Movimento
artístico criado na Holanda, Sigla de Copenhague-Bruxelas-Amsterdam, grupo
artístico europeu que surgiu entre 1948 e 1951. Ligado esteticamente ao expressionismo
figurativo, teve como principais representantes Asger Jorn, Karel Appel e
Pierre Alechinski. Assim como as obras de Jackson Pollock essa pintura é
gestual, livre, violenta na escolha de cores e texturas.
Principais Artistas:
PIERRE ALECHINSKY, pintor e gravador belga. Um dos mais jovens integrantes do grupo Cobra, marcou sua obra pelo tachismo. Participou da XI Exposição Internacional do Surrealismo, em 1965.
ASGER
JORN, pintor dinamarquês. Sua obra é caracterizada pelo uso de cores vivas e formas
distorcidas. Sofreu influência dos pintores James Ensor e Paul Klee.
KAREL
APPEL, pintor holandês. Criador de uma obra vigorosa e colorida, caracterizada
pela figuração rude e simplificada. Realizou também esculturas em madeira e
metal.
18. POP-ART
Movimento
principalmente americano e britânico, sua denominação foi empregada pela
primeira vez em 1954, pelo crítico inglês Lawrence Alloway, para designar os
produtos da cultura popular da civilização ocidental, sobretudo os que eram
provenientes dos Estados Unidos.
Com
raízes no dadaísmo de Marcel Duchamp, o pop art começou a tomar forma no final
da década de 1950, quando alguns artistas, após estudar os símbolos e produtos
do mundo da propaganda nos Estados Unidos, passaram a transformá-los em tema de
suas obras.
Representavam,
assim, os componentes mais ostensivos da cultura popular, de poderosa
influência na vida cotidiana na segunda metade do século XX. Era a volta a uma
arte figurativa, em oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena
estética desde o final da segunda guerra. Sua iconografia era a da televisão,
da fotografia, dos quadrinhos, do cinema e da publicidade.
Com
o objetivo da crítica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de
consumo, ela operava com signos estéticos massificados da publicidade,
quadrinhos, ilustrações e designam, usando como materiais principais, tinta
acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, brilhantes e
vibrantes, reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente
grande, transformando o real em hiper-real. Mas ao mesmo tempo em que produzia a
crítica, a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo, nos quais
se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo, como aconteceu por
exemplo, com as Sopas Campbell, de Andy Warhol, um dos principais artistas da
Pop Art. Além disso, muito do que era considerado brega, virou moda, e tanto o
gosto, como a arte tem um determinado valor e significado conforme o contexto
histórico em que se realiza, a Pop Art proporcionou a transformação do
considerado vulgar, em refinado, e aproximou a arte das massas, desmitificando,
já que se utilizava de objetos próprios delas, a arte para poucos.
Principais Artistas:
Rauschenberg
(1925) Depois das séries de superfícies brancas ou pretas reforçadas com jornal
amassado do início da década de 1950, Rauschenberg criou as pinturas
"combinadas", com garrafas de Coca-Cola, embalagens de produtos
industrializados e pássaros empalhados.
Por volta de 1962, adotou a técnica de impressão em silk-screen para aplicar imagens fotográficas a grandes extensões da tela e unificava a composição por meio de grossas pinceladas de tinta. Esses trabalhos tiveram como temas episódios da história americana moderna e da cultura popular.
Roy Lichtenstein (1923-1997). Seu interesse pelas histórias em quadrinhos como tema artístico começou provavelmente com uma pintura do camundongo Mickey, que realizou em 1960 para os filhos. Em seus quadros a óleo e tinta acrílica, ampliou as características das histórias em quadrinhos e dos anúncios comerciais, e reproduziu a mão, com fidelidade, os procedimentos gráficos. Empregou, por exemplo, uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados das historietas. Cores brilhantes, planas e limitadas, delineadas por um traço negro, contribuíam para o intenso impacto visual.
Por volta de 1962, adotou a técnica de impressão em silk-screen para aplicar imagens fotográficas a grandes extensões da tela e unificava a composição por meio de grossas pinceladas de tinta. Esses trabalhos tiveram como temas episódios da história americana moderna e da cultura popular.
Roy Lichtenstein (1923-1997). Seu interesse pelas histórias em quadrinhos como tema artístico começou provavelmente com uma pintura do camundongo Mickey, que realizou em 1960 para os filhos. Em seus quadros a óleo e tinta acrílica, ampliou as características das histórias em quadrinhos e dos anúncios comerciais, e reproduziu a mão, com fidelidade, os procedimentos gráficos. Empregou, por exemplo, uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados das historietas. Cores brilhantes, planas e limitadas, delineadas por um traço negro, contribuíam para o intenso impacto visual.
Com
essas obras, o artista pretendia oferecer uma reflexão sobre a linguagem e as
formas artísticas. Seus quadros, desvinculados do contexto de uma história,
aparecem como imagens frias, intelectuais, símbolos ambíguos do mundo moderno.
O resultado é a combinação de arte comercial e abstração.
Andy
Warhol (1927-1987). Ele foi figura mais conhecida e mais controvertida do
pop art, Warhol mostrou sua concepção da produção mecânica da imagem em
substituição ao trabalho manual numa série de retratos de ídolos da música
popular e do cinema, como Elvis Presley e Marilyn Monroe. Warhol entendia as
personalidades públicas como figuras impessoais e vazias, apesar da ascensão
social e da celebridade. Da mesma forma, e usando sobretudo a técnica de
serigrafia, destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa para o
consumo, como garrafas de Coca-Cola, as latas de sopa Campbell, automóveis,
crucifixos e dinheiro.
Produziu
filmes e discos de um grupo musical, incentivou o trabalho de outros artistas e
uma revista mensal.
NO BRASIL
A
década de 60 foi de grande efervescência para as artes plásticas no pais. Os
artistas brasileiros também assimilaram os expedientes da pop art como o uso das
impressões em silkscreen e as referências aos gibis. Dentre os principais
artistas estão Duke Lee, Baravelli, Fajardo, Nasser, Resende, De Tozzi, Aguilar
e Antonio Henrique Amaral.
A obra de Andy Warhol expunha uma
visão irônica da cultura de massa. No Brasil, seu espírito foi subvertido,
pois, nosso pop usou da mesma linguagem, mas transformou-a em instrumento
de denúncia política e social.
19. OP-ART
A
expressão “op-art” vem do inglês (optical art) e significa “arte óptica”.
Defendia para arte "menos expressão e mais visualização".
Apesar do rigor com que é construída, simboliza um mundo precário e instável,
que se modifica a cada instante.
Apesar
de ter ganhado força na metade da década de 1950, a Op Art passou por um
desenvolvimento relativamente lento. Ela não tem o ímpeto atual e o apelo
emocional da Pop Art; em comparação, parece excessivamente cerebral e
sistemática, mais próxima das ciências do que das humanidades. Por outro lado,
suas possibilidades parecem ser tão ilimitadas quanto as da ciência e da
tecnologia.
Principais artistas:
Alexander Calder (1898-1976) - Criou os móbiles
associando os retângulos coloridos das telas de Mondrian à idéia do movimento.
Os seus primeiros trabalhos eram movidos manualmente pelo observador. Mas, depois
de 1932, ele verificou que se mantivesse as formas suspensas, elas se
movimentariam pela simples ação das correntes de ar. Embora, os móbiles pareçam
simples, sua montagem é muito complexa, pois exige um sistema de peso e
contrapeso muito bem estudado para que o movimento tenha ritmo e sua duração se
prolongue.
Victor Vassarely - criou a plástica cinética que se
funda em pesquisas e experiências dos fenômenos de percepção ótica. As suas
composições se constituem de diferentes figuras geométricas, em preto e branco
ou coloridas. São engenhosamente combinadas, de modo que através de constantes
excitações ou acomodações retinianas provocam sensações de velocidade e
sugestões de dinamismo, que se modificam desde que o contemplador mude de
posição. O geometrismo da composição, ao qual não são estranhos efeitos
luminosos, mesmo quando em preto e branco, parece obedecer a duas finalidades.
Sugerir facilidades de racionalização para a produção mecânica ou para a
multiplicidade, como diz o artista; por outro lado, solicitar ou exigir a
participação ativa do contemplador para que a composição se realize
completamente como "obra aberta".
20. GRAFFITI
Definido por Norman Mailler
como" uma rebelião tribal contra a opressora civilização industrial"
e, por outros, como "violação, anarquia social, destruição moral,
vandalismo puro e simples", o Grafite saiu do seu gueto - o metrô - e das
ruas das galerias e museus de arte, instalando-se em coleções privadas e
cobrindo com seus rabiscos e signos os mais variados objetos de consumo.
A
primeira grande exposição de Grafite foi realizada em 1975 no "Artist's
Space", de Nova York, com apresentação de Peter Schjeldahl, mas a
consagração veio com a mostra "New York/New Wave" organizada por
Diego Cortez, em 1981, no PS 1, um dos principais espaços de vanguarda de Nova
York.
Características gerais:
* Spray art - pichação de
signos, palavras ou frases de humor rápido, existe a valorização do desenho.
* Stencil art - o
grafiteiro utiliza um cartão com formas recortadas que, ao receber o jato de
spray, só deixa passar a tinta pelos orifícios determinados, valoriza-se a
cor.
Principal
artista:
Jean Michel Basquiat - (1960-1988), nascido no Haiti, iniciou sua
carreira grafitando as paredes e muros de Nova York. Seus grafites mostravam
símbolos de variadas culturas, de obras famosas, e principalmente ícones da
cultura e consumo americanos, principalmente no contexto político e social. As
temáticas do seu trabalho refletem suas preocupações, como o genocídio, a
opressão e o racismo. Com 21 anos participou da sua primeira coletiva em Nova York. Foi
patrocinado por Andy Warhol (Pop Art), a partir daí virou celebridade. Morreu
prematuramente em virtude de depressão e drogas.
No
Brasil, destacam-se os artistas: Alex Vallauri, Waldemar Zaidler e Carlos
Matuck, também se destacam artistas de vanguarda como: Os Gêmeos: Otávio e
Gustavo, Boleta, Nunca, Nina, Speto, Tikka e T. Freak.
Visite: http://www.graffiti.org.br
21. INTERFERÊNCIA
Como a pintura já não é claramente
definível e deixou de ser a única fornecedora de memoráveis imagens visuais.
Alguns artistas interferem na paisagem, colocam cortinas, guarda-sóis,
embrulhos em locais públicos.
Atualmente, ressaltamos Christo, o
único artista que se destaca com suas interferências.
Obras Destacadas:: Cortina no Vale, Ponte Neuf (Paris) embrulhada para presente, Guarda-sóis colocados em um vale da Califórnia e mais recentemente o Reichstag (Parlamento Germânico em 1988 - Berlim), que foi envolvido em tecido sintético com duração de duas semanas.
Obras Destacadas:: Cortina no Vale, Ponte Neuf (Paris) embrulhada para presente, Guarda-sóis colocados em um vale da Califórnia e mais recentemente o Reichstag (Parlamento Germânico em 1988 - Berlim), que foi envolvido em tecido sintético com duração de duas semanas.
22. INSTALAÇÃO
São ampliações de ambientes que são
transformados em cenários do tamanho de uma sala.
É utilizada a pintura, juntamente com a escultura e outros materiais, para ativar o espaço arquitetônico.
O espectador participa da obra, e não somente à aprecia.
É utilizada a pintura, juntamente com a escultura e outros materiais, para ativar o espaço arquitetônico.
O espectador participa da obra, e não somente à aprecia.
Obra Destacada: Homenagem a Chico
Mendes do artista Roberto Evangelista.
Visite
o site oficial do artista Christo e Jeanne Claude
23. ARTE NAÏF
É a arte da espontaneidade, da
criatividade autêntica, do fazer artístico sem escola nem orientação, portanto
é instintiva e onde o artista expande seu universo particular. Claro que, como
numa arte mais intelectualizada, existem os realmente marcantes e outros nem
tanto.
Art Naif (arte ingênua) é o estilo a
que pertence a pintura de artistas sem formação sistemática. Trata-se de um
tipo de expressão que não se enquadra nos moldes acadêmicos, nem nas tendências
modernistas, nem tampouco no conceito de arte popular.
Esse isolamento situa o art Naif
numa faixa próxima à da arte infantil, da arte do doente mental e da arte
primitiva, sem que, no entanto, se confunda com elas.
Assim, o artista Naif é marcadamente
individualista em suas manifestações mais puras, muito embora, mesmo nesses
casos, seja quase sempre possível descobrir-lhes a fonte de inspiração na
iconografia popular das ilustrações dos velhos livros, das folhinhas suburbanas
ou das imagens de santos. Não se trata, portanto, de uma criação totalmente
subjetiva, sem nenhuma referência cultural.
O artista naïf não se preocupa em preservar as proporções naturais nem os dados anatômicos corretos das figuras que representa.
O artista naïf não se preocupa em preservar as proporções naturais nem os dados anatômicos corretos das figuras que representa.
Características gerais:
·
Composição plana, bidimensional, tende à simetria e a linha é sempre figurativa
· Não
existe perspectiva geométrica linear.
·
Pinceladas contidas com muitas cores.
Principal
Artista:
Henri Rousseau (1844-1910), homem de
pouca instrução geral e quase nenhuma formação em pintura. Em sua
primeira exposição foi acusado pela crítica de ignorar regras elementares de
desenho, composição e perspectiva, e de empregar as cores de modo arbitrário.
Estreou com uma original obra-prima, "Um dia de carnaval", no Salão
dos Independentes. Criou exóticas paisagens de selva que lembram tramas de
sonho e parecem motivadas pelos sentimentos mais puros. Nos primeiros anos do
século XX, após despertar a admiração de Alfred Jarry, Guillaume Apollinaire,
Pablo Picasso, Robert Delaunay e outros intelectuais e artistas, seu trabalho
foi reconhecido em Paris e posteriormente influenciou o surrealismo.
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